O crescente número de veículos existentes no mundo vem fazendo com que cidades sofram com problemas severos oriundos do trânsito. Com estimativas de 66% da população mundial vivendo em cidades em 2050, a mobilidade está se tornando um fator-chave que afeta o bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos. Atrelado à popularização da economia de serviços, os Veículos Autônomos (VAs) representam uma mudança potencial e disruptiva para o atual modelo de negócios dos transportes urbanos, trazendo a promessa de mudar o futuro da mobilidade afetando não somente os modais de transporte mas a sociedade como um todo. Diante deste contexto, este estudo teve como objetivo propor e discutir cenários de plataformas de negócios para Veículos Autônomos sob a perspectiva do Sistema de Produto-Serviços em contextos distintos de mobilidade urbana. Partindo de uma ontologia construtivista, a pesquisa apresenta carácter qualitativo, descritivo, exploratório e preditivo sendo realizada por meio da coleta de dados em fontes secundárias – literatura acadêmica e cinza e primárias – via entrevistas, grupos focais e questionários com pesquisadores e professionais em mobilidade urbana no Brasil, França, Bélgica e Estados Unidos. Os resultados apontam que à chegada dos veículos autônomos no mercado se dará de forma mais disruptiva com os veículos sendo oferecidos como serviços ao invés de produtos, conclui-se também que os motivos para se usar um carro serão reconfigurados com diferentes pesos para os fatores instrumentais, simbólicos e afetivos. As principais tipologias de uso para os VAs serão desmembradas entre ofertas Business-to-Business, Business-to-Consumer e Peer-to-Peer para ambos transporte de passageiros e de cargas, tais como: ride-hailing, ride-sharing, car-pooling, microtransit e transporte na última milha. Esses modelos de negócios se configuram como plataformas multilaterais, as quais podem ser subsidiadas ou não pelo provedor da plataforma e podem oferecer serviços de mobilidade de um ponto A ao B por meio de soluções uni-modais ou multimodais; com isso, quatro cenários futuros foram criados de forma a extrapolar exemplos reais para um contexto onde VAs se configuram como um modal de transporte. Por fim, buscou-se entender qual seria a melhor estrutura de governança para guiar as transações em cada um dos cenários embasando-se nos ativos específicos tangíveis (modais de transporte) e intangíveis (dados). Conclui-se que para os cenários onde a plataforma é dona da frota (cenários A e C) as estruturas de governança tendem a ser mais hierárquicas, o que reduz os custos de transação mas eleva os custos operacionais. Por outro lado para os cenários B e D onde não há subsídios, a governança tende a ser mais híbrida, com custos operacionais inferiores e custos de transação mais altos. Em suma, em contextos de big data, estruturas mais complexas de plataformas de mobilidade tendem a criar a necessidade de estruturas de governança mais sofisticadas (smart contracts via blockchain) além de um comportamento mais dinâmico dos stakeholders envolvidos.